terça-feira, 7 de agosto de 2012

- Pai do Blues no Brasil





Celso Ricardo Furtado de Carvalho começou a tocar guitarra profissionalmente com  Raul Seixas, isso aos 17 anos, em meados de 70 - gravou O Diabo é o Pai do Rock, com Raulzito.
Fundou as bandas Legião Estrangeira e Aero Blues, considerado o primeiro grupo de blues do Brasil. Acompanhou um balaio de gente, Renato e Seus Blues Caps, Sá e Guarabira, Luiz Melodia, Cazuza, e foi convidado pra integrar os Commitments, de Alan Parker.
A revista Backstage colocou Celso entre os 20 maiores guitarristas da história, e BB King (o Bibiquing mesmo!!!!), dividiu palcos e estúdios com ele, carregando o cara pelos EUA. O cara tocou no Festival de Montreaux, na Suíça e só não é mais conhecido aqui no Brasil, porque o Blues é um tipo de música para um pessoal seleto e, por aqui, se prefere Calypso, Teló e afins.
Ainda assim, na década de 80, o cara conquistou a fama com Som da Guitarra, disco solo que incluía os clássicos Aumenta que isso aí é Rock´n´Roll e Blues Motel. A voz rouca nas canções de qualidade fizeram com que Celso Blues Boy fosse o primeiro bluzeiro brasileiro de renome. Entre 1986 e 2011, lançou mais nove álbuns e um DVD ao vivo.
Celso Blues Boy morreu em 6 de agosto de 2012. Um câncer na garganta levou o cara. Mantinha a doença em segredo e, como queria, não teve velório, sendo cremado em Blumenau. Morava em Joinville, SC. No vídeo acima, BB King toca com ele.
O blues chora seu lamento arrastado, mais uma vez...

segunda-feira, 23 de julho de 2012

- Desde 2011 sem Amy...


Combinando Jazz, Soul e R&B, Amy Winehouse tinha a voz que mesclava Billie Holiday e Lauryn Hill, trazendo um pouco dos anos 60 em cada canção. A guria tinha um talento inquestionável, no entanto, quando se pensa nela, em suas atitudes e estilo de vida, é quase que automática a ligação com as drogas e álcool, principalmente por pessoas que não acompanharam a trajetória musical do legado de Amy. Quem, no mundo do rock, jazz ou blues, não acaba se envolvendo com drogas e álcool? Jim Morrison, Keith Richards, Syd Barret, Ray Charles e outros tantos ícones, todos tiveram estas porcarias amarradas em suas carreiras como uma âncora. A mídia massacrava Amy com textos, fotos e filmes diariamente. Essa história é antiga: aqui no Brasil, enquanto se escolhiam as melhores fotos, takes e filmes das paniquetes para divulgação, O programa Pânico detonava a imagem de Amy, mostrando a guria como esculachada e louca. Citei só este exemplo, principalmente pela abrangência que este programa de vigésima categoria tinha por aqui. Também porque bunda não é talento. No resto do mundo não era diferente. Amy tinha uma vida conturbada, com relacionamentos ruins, mas não é difícil conseguir enxergar a garotinha que teve uma vida difícil, sob a imagem da mulher que fugia da realidade, mergulhando no mundo onírico e perigoso dos excessos. Amy lançou somente dois álbuns. Mas é considerada como uma das mulheres mais influentes do planeta. Influenciou Adele, Gabriela Cilmi, Paloma Faith, Duffy , Lady Gaga e mais um monte de gente, criando o renascimento do Jazz, a popularidade do Soul e muito do sucesso dos artistas britânicos de hoje em dia já foi atribuído a ela. Amy foi a iniciadora desta revolução, fazendo com que o público fosse mais tolerante com artistas menos convencionais. Em julho de 2011 Amy Winehouse bebeu até morrer. Cada um tem os seus problemas, só posso dizer que o corcunda sabe o jeito que ele deita.

"It's my party and i'll cry if i want to 
Cry if i want to 
Cry if i want to 
You would cry too if it's happened to you"

(It´s my party - Amy Winehouse)

sexta-feira, 30 de março de 2012

- Arte nas Ruas


No meu tempo - e não faz tanto tempo assim - os muros da cidade, de qualquer cidade, eram usados para passar alguma mensagem, dizer alguma coisa. "Quem não tem colírio usa óculos escuros, quem não tem papel, dá o recado pelo muro", cantava o sábio Raulzito.
Hoje em dia a chinelagem impera. Rabiscos que só quem escreveu entende, ou seja: se o cara não tem nada a dizer e não quer que leiam, escreve no muro. Uma geração exageradamente sem cérebro. Esse mundaréu de riscos nas paredes das casas são a versão podre dos grafites coloridos que se vê nos muros. Os grafites, por si, também se apresentam sempre com qualidade duvidosa. Não é necessário ter o senso estético apurado pra perceber que todos esses borrões, caras de cachorros com três olhos, gente fumando, imitação de pedras ou qualquer que seja o tema popular adotado nos muros é de uma desgraça visual deprimente. Não consigo ver isso como arte. Conheci um guri que desenhava fuscas nos muros. "Não sou vândalo, nem pichador: sou grafiteiro."
Segundo ele, é a cultura grafite: um spray na mão, hip-hop nas orelhas e mostrar o reflexo da cidade, das ruas para as ruas. Pra mim, não é arte. Sinto muito. É poluição visual.
Catei umas imagens na internet, nenhuma brasileira (provavelmente aqui a chinelagem riscaria em cima) do que eu penso ser arte nas ruas. Taí a mostra: