sexta-feira, 1 de julho de 2011
- New Age?
O movimento da Nova Era apareceu lá pela década de 60, no contexto do desenvolvimento da cultura hippie, em liberdade, respeito, paz e amor. É uma filosofia de vida de bem-estar e tolerância universal. É um movimento com uma forte influência oriental, com uma proposta de um novo modelo de consciência moral e integração com o meio, a Natureza e o Cosmos.
Essa Nova Era, ou “Era de Aquário” traz uma “nova mentalidade” provocando uma expressão (ou "despertar") de consciência. Para auxiliar neste processo, algumas psicotécnicas vieram à tona, como: tarô, yoga, meditação, mapa astral, esoterismo, pirâmides, cristais, numerologia, acupuntura, pacifismo, sincretismo, ecologia, busca interior, livros de autoajuda, magia, etc. A pessoa, através desse conhecimento e formas de pensar, assume-se como uma parte do ser divino.
A “Era Cristã” é considerada, pelos adeptos da Nova Era, como a “Era de Peixes” - símbolo do zodíaco. O peixe foi o primeiro símbolo cristão, e a gente vê isso todo dia nos adesivos dos carros de crentes. Conforme a astrologia, as eras do zodíaco vão se sucedendo, durando cada uma em média 2.150 anos. Estamos vivendo um momento em que está terminando a de Peixes e deve começar, em breve, a de Aquário. Crentes da Assembléia de Deus, TJs e outros dizem que a Nova Era não passa de uma fraude, que prepara o terreno para o surgimento do anticristo, onde serão unificadas as religiões. Para ouvir mais baboseiras a esse respeito, puxe conversa com o crente mais próximo de você ;-)
Bom. A música New Age (Nova Era, em inglês, pra quem não tem ideia do idioma bretão) recorre a sonoridades e arranjos harmónicos sugestivos, que propiciam estados de espírito tranquilos e de comunhão com o Cosmo. Tem uma melodia suave, sons instrumentais de harpa, teclado, flauta, violão, órgão e vozes etéreas, podendo utilizar sons da natureza em suas músicas. A Música New Age é muito usada para meditação e relaxamento e busca despertar sentimentos de harmonia, paz interior e valorização da natureza: animais, plantas e recursos minerais.
Uma das mais antigas vertentes da New Age é a Space Music conhecida pelas obras de temas espaciais criadas na década de 70 e 80 produzidos através de texturas eletrônicas e sons sintetizados por artistas como Vangelis e Jean Michel Jarre. Atualmente, a boa música New Age é representada por grupos como Era, Secret Garden, Enigma, Sarah Brightman, Adiemus, Deep Forest e um pouco daquala que é quem eu mais gosto: Lisa Thiel!. A cantora irlandesa Enya é certamente o principal expoente da música New Age mundial e Loreena McKennitt é algo que faz sonhar.
Procure e dê uma chance: Sempre é bom ouvir o canto do universo.
quarta-feira, 22 de junho de 2011
- Coração de Bardo
Chega de poesia, disse o bardo
E lançou fora, como um dardo
Seu despedaçado e maldito coração.
Ah, ilusão infame, enganadora
Que nesta alma apaixonada e sofredora
Encontrou sua morada de paixão.
Houve um tempo em que um poema
Nascia, assim, qual fosse o tema
Com palavras que surgiam graciosas
Mas na escuridão em que se encontrava
A palavra amiga lhe fugia, abandonava
E a melodia suave, agora lhe era odiosa.
Arranquem-me a cabeça, ele gritou
Arrebatando os cabelos, ao solo se lançou
Como um louco à beira do abismo.
Já não suporto mais a falta de amor
Gritava ele rolando, com olhos de rancor
Desumanidade, desafeto, ódio e cinismo.
Rolou e rolou e quedou cansado
Quase sem fôlego, quase desmaiado
E uma voz fraquinha seu ouvido alcançou.
“Acaso não te seria mais pesado o fardo
Seguir como os outros, não sendo mais bardo
Só porque a inspiração te abandonou?”
Mas uma voz sábia assim merece atenção
O bardo triste voltou os olhos em sua direção
E viu espantado de quem se tratava.
Pois na loucura em que rolava pelo chão
Acabou quedando perto do próprio coração
E viu se tratar dele que a fraca voz emanava.
“Põe me no peito e segue teu destino
Acaso não estamos juntos desde menino
E alguma vez faltei-lhe em precisão?
Não me lances fora, desgraçado
Ignoras que para quem nasce bardo
Pode-se perder tudo: menos o coração?”
E o maldito se deu por vencido
Arrastou-se ofegante, ainda caído
E a mão tremendo tateou e não alcançava
Ele gastara a pouca força que ainda tinha
Arrependeu-se da própria atitude mesquinha
Mas tarde demais: o coração não mais pulsava.
segunda-feira, 20 de junho de 2011
- The Buke Is On The Table
Em agosto de 1920 nascia na Alemanha, Henry Charles Bukowski Jr, o guri que seria depois conhecido como o poeta escritor Charles Bukowski, o bêbado Henry Chinaski e, na finaleira da vida, o Velho Safado. Bukowski era filho de um soldado americano e logo criança a família se mudou para os EUA. Se criou ali pelo subúrbio de Los Angeles, apanhando por qualquer motivo, saco de pancadas de um pai tão frustrado quanto austero. Na adolescência, fase em que a gente já se acha feio naturalmente, foi atacado por acnes, erupções cutâneas e inflamações que taparam seu rosto e a parte superior do corpo, passando por diversos tratamentos em hospitais públicos. As surras em casa e humilhação no colégio, foram moldando uma personalidade introspectiva e o guri acabou fugindo da vida real entrando na doce ficção dos livros e a mais doce ficção da bebida. Lia, escrevia, lutava boxe na rua e bebia. Bebia como se (e para que) a vida fosse terminar no próximo segundo.
Abandonou e retomou os estudos sem nunca se formar em jornalismo. Passou por inúmeros empregos temporários e em várias cidades americanas, sempre bebendo, brigando e escrevendo, não necessariamente nesta ordem. Se fixou como empregado dos Correios. Passava noites inteiras com o lápis em uma mão e o uísque na outra e o produto dessas noites era enviado à diversas publicações independentes e a grande maioria era recusada. De vez em quando chegava o pagamento de um ou outro texto, que virava mais bebida e mais outros tantos e tantos textos.
Barbara Frye, editora da revista Harlequin, começou a se corresponder com Buke, pois estava certa de que o cara era um gênio. Reza a lenda que a mulher teria dito que nenhum homem nunca se casaria com ela. “Eu me casarei”, respondeu Bukowski e casaram mesmo, se separando logo em seguida. Apesar de ter quase 40 anos, Buke era apenas um poeta meia boca, mas daí apareceu Henry Chinaski, seu alterego, personagem que narraria sua própria vida e experiências, criando um mito: o mito Charles Bukowski. De sua máquina de escrever saíram a vida nos becos, a repulsa, nojo, humor, paixão, melancolia, solidão e algumas sem-vergonhices. Buke pintava também, uns trecos horríveis, e nunca escondeu que o que escrevia era basicamente autobiográfico. Produziu mais de 50 livros e milhares de textos, cheios de corridas de cavalo, prostitutas e música erudita. A partir dos anos 80, Charles Bukowski firmou sua fama e tinha como atividade a leitura de seus textos e poesias em universidades e eventos culturais, onde não raro participava de escândalos e brigas com a plateia. Em 1987, Henry Chinaski foi interpretado por Mickey Rourke, no excelente filme Barfly, com Faye Dunaway.
Tem um monte de abobado que acha que o velho Hank (cada um chama ele de um jeito e para ele isso parecia ótimo!) é parte da geração beat. Buke não se encaixa nisso... O Velho Safado morreu em 9 de março de 1994, de leucemia, em seu túmulo está escrito “Don´t Try”. Para saber porquê, leia Charles Bukowski.
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