segunda-feira, 23 de julho de 2012

- Desde 2011 sem Amy...


Combinando Jazz, Soul e R&B, Amy Winehouse tinha a voz que mesclava Billie Holiday e Lauryn Hill, trazendo um pouco dos anos 60 em cada canção. A guria tinha um talento inquestionável, no entanto, quando se pensa nela, em suas atitudes e estilo de vida, é quase que automática a ligação com as drogas e álcool, principalmente por pessoas que não acompanharam a trajetória musical do legado de Amy. Quem, no mundo do rock, jazz ou blues, não acaba se envolvendo com drogas e álcool? Jim Morrison, Keith Richards, Syd Barret, Ray Charles e outros tantos ícones, todos tiveram estas porcarias amarradas em suas carreiras como uma âncora. A mídia massacrava Amy com textos, fotos e filmes diariamente. Essa história é antiga: aqui no Brasil, enquanto se escolhiam as melhores fotos, takes e filmes das paniquetes para divulgação, O programa Pânico detonava a imagem de Amy, mostrando a guria como esculachada e louca. Citei só este exemplo, principalmente pela abrangência que este programa de vigésima categoria tinha por aqui. Também porque bunda não é talento. No resto do mundo não era diferente. Amy tinha uma vida conturbada, com relacionamentos ruins, mas não é difícil conseguir enxergar a garotinha que teve uma vida difícil, sob a imagem da mulher que fugia da realidade, mergulhando no mundo onírico e perigoso dos excessos. Amy lançou somente dois álbuns. Mas é considerada como uma das mulheres mais influentes do planeta. Influenciou Adele, Gabriela Cilmi, Paloma Faith, Duffy , Lady Gaga e mais um monte de gente, criando o renascimento do Jazz, a popularidade do Soul e muito do sucesso dos artistas britânicos de hoje em dia já foi atribuído a ela. Amy foi a iniciadora desta revolução, fazendo com que o público fosse mais tolerante com artistas menos convencionais. Em julho de 2011 Amy Winehouse bebeu até morrer. Cada um tem os seus problemas, só posso dizer que o corcunda sabe o jeito que ele deita.

"It's my party and i'll cry if i want to 
Cry if i want to 
Cry if i want to 
You would cry too if it's happened to you"

(It´s my party - Amy Winehouse)

sexta-feira, 30 de março de 2012

- Arte nas Ruas


No meu tempo - e não faz tanto tempo assim - os muros da cidade, de qualquer cidade, eram usados para passar alguma mensagem, dizer alguma coisa. "Quem não tem colírio usa óculos escuros, quem não tem papel, dá o recado pelo muro", cantava o sábio Raulzito.
Hoje em dia a chinelagem impera. Rabiscos que só quem escreveu entende, ou seja: se o cara não tem nada a dizer e não quer que leiam, escreve no muro. Uma geração exageradamente sem cérebro. Esse mundaréu de riscos nas paredes das casas são a versão podre dos grafites coloridos que se vê nos muros. Os grafites, por si, também se apresentam sempre com qualidade duvidosa. Não é necessário ter o senso estético apurado pra perceber que todos esses borrões, caras de cachorros com três olhos, gente fumando, imitação de pedras ou qualquer que seja o tema popular adotado nos muros é de uma desgraça visual deprimente. Não consigo ver isso como arte. Conheci um guri que desenhava fuscas nos muros. "Não sou vândalo, nem pichador: sou grafiteiro."
Segundo ele, é a cultura grafite: um spray na mão, hip-hop nas orelhas e mostrar o reflexo da cidade, das ruas para as ruas. Pra mim, não é arte. Sinto muito. É poluição visual.
Catei umas imagens na internet, nenhuma brasileira (provavelmente aqui a chinelagem riscaria em cima) do que eu penso ser arte nas ruas. Taí a mostra:






quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012

- Guia Politicamente Incorreto


Quem não leu ainda, leia: Guia Politicamente Incorreto da História do Brasil, do jornalista paranaense Leandro Narloch (tudo o que o cara escreve é bom!). Aparentemente, ele nasceu sem nenhum apego patriótico (que eu só sinto pelo Rio Grande) e escreveu um livro sensacional, derrubando mitos populares sobre heróis e episódios marcantes do país, sem frescura, contrariando opiniões que, ao longo do tempo, cristalizaram-se como verdades inquestionáveis. E, olha, tem cada coisa...
Por exemplo, o legendário Zumbi, o maior negro do Brasil, símbolo da consciência negra, mandava capturar escravos de fazendas vizinhas para que trabalhassem na marra no Quilombo dos Palmares. Também sequestrava mulheres, raras nas primeiras décadas do Brasil, infelizmente também para motivos óbvios e executava quem quisesse fugir do quilombo. Mas tudo isso era um comportamento comum, pois na Mãe África, inclusive, a mão de obra escrava era usada normalmente, negros explorando negros - chegando ao ponto de portugueses usarem escravos como moeda para comprar ouro africano. Sem papo de anacronismo, please.
O Aleijadinho, o escultor, é quase uma personagem de ficção. Aparentemente nunca existiu um quasímodo gênio tal como se divulga. As obras estão aí, o artista é que nunca esteve, pois muitas obras atribuídas a ele não lhe pertencem. A grife foi inventada, pelo lance retórico dos modernistas: "Eles escreveram sobre um escultor barroco como se ele fosse um artista romântico ou integrante das vanguardas modernas do século 20.”
O famoso voo de Santos Dumont é de 1906. Os irmãos Wright, norte-americanos, voaram em 1903, mas não valeu: o avião deles  - o Flyer - decolou impulsionado por catapulta, não por motor. Acontece que em 1904 e 1905 os gringos continuaram aperfeiçoando e voando, chegando a voos de dezenas de quilômetros, enquanto o famoso voo do 14 Bis foi de 220 metros - ele não conseguia voar, só dava uns pulinhos. “Em 1905, enquanto os irmãos Wright preparavam o Flyer para a venda, Santos Dumont passava tardes soltando pipas e atirando com arco e flecha. Não era só um passatempo francês, mas o aviador tentava aprender mais sobre aerodinâmica e asas planas, uma ciência nova para ele.” O brasileiro também não inventou o relógio de pulso, como se afirma, pois ele já era conhecido desde os tempos de Shakespeare. A rainha Elizabeth I (1533-1603) tinha um. Em 1868, a empresa Patek Philippe reinventou a peça, que também foi usada por militares nos campos de batalha do século 19, como na Guerra Franco-Prussiana. É brabo, mas é queijo, dizia uma velhinha sem dente comendo sabão. O livro ainda fala sobre o extermínio dos índios, Machado de Assis, Gilberto Freyre, Guerra do Paraguai e por aí vai. É uma leitura imperdível pra quem curte conhecer o lugar onde mora.